quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O taxista que deixa livros

Quando desci, o taxista já estava a minha espera. Toda atrapalhada, atravessei a rua com mala, mochila e bolsa. Gentilmente ele desceu do carro para me ajudar. Ao abrir o porta-malas, fiquei surpresa: estava cheio de livros espalhados.

"Nossa, parece o meu carro, cheio de livros.", comentei.

Ele riu e respondeu: "É, é para um projeto".

Ao entrar no carro o taxista contou que achou na internet vários projetos, em São Paulo e outros lugares do mundo, nos quais as pessoas deixavam livros pelas cidades: metrôs, paradas de ônibus, bancos de praça. E que, ao ver tantos livros em casa e pouco espaço para guardá-los, ele resolveu deixar os dele por aí também.

Meu rosto se iluminou! Fiquei louca para interrompê-lo, perguntar se ele conhecia nosso blog e o que ele achava, mas resolvi escutar.

Quando senti uma brecha na fala dele, comentei primeiro sobre o T-Bone, açougue cultural que coloca livros em paradas de ônibus de Brasília.  Achei que se eu chegasse falando do nosso projeto, ele se assustaria ou pensaria que eu estava inventando só para puxar assunto.  Ele achou a iniciativa muito legal e disse que gostaria muito de vir à cidade para conhecer.

Foi aí que Seu Oswaldo* contou que não gostava muito de ler. Até que um dia, quando trabalhava na construção civil e foi enviado para uma obra em Campos do Jordão, encontrou páginas de um livro de autoajuda. Resolveu ler essas páginas sem compromisso. Quando voltou à São Paulo, procurou o livro completo para ler o resto. Não parou mais. Leu vários e vários livros desse gênero.

"Dizem que livro de autoajuda só ajuda o autor, né?! Mas eu gostava muito. Na época fazia muito sentido para mim. Hoje não leio mais isso, perdeu a graça, mas passei a me interessar por outros livros."

Pela variedade de títulos que vi atrás dos bancos do taxi, Seu Oswaldo é do tipo que não tem preconceitos ao ler. Clarice Lispector, Augusto Cury e livros sobre teorias econômicas foram alguns que eu consegui identificar.

Não me aguentei e falei para ele sobre o blog. Ele adorou a ideia e disse que acredita, realmente, que um livro pode mudar a vida de alguém. Contou de um mendigo em São Paulo que, um dia, encontrou um livro e se apaixonou. Como não tinha condições de comprar mais alguns e nem o deixavam entrar em bibliotecas, saiu pela cidade procurando alguém que lhe doasse livros. Resultado, criou uma "bibiteca", uma biblioteca em cima de uma bicicleta, que levava livros a moradores de rua. O mendigo, hoje, faz palestras em vários lugares do mundo sobre seu projeto.
Seu Oswaldo fez eu me lembrar do porquê entrei nesse projeto com a Jeanne e as meninas. Pode ser que a gente não mude a vida de ninguém, mas tenho certeza de que, pelo menos, faremos algumas pessoas terem um dia mais especial.


*Nome fictício, eu realmente me esqueci qual o nome dele (graças a minha memória de peixe dourado).

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um livro deixado bem rapidinho

Como há um tempo eu não deixava livros, levei dois comigo para a viagem a São Paulo e Campos do Jordão. Mas, apesar das surpresas, o feriado foi quase todo de chuva. Fiquei com medo de deixar meus livros e eles estragarem antes que alguém encontrasse.

Hoje, no aeroporto, bateu um peso na consciência de voltar com aqueles dois na bolsa e acabei deixando um. Foi em um restaurante no segundo antes de Congonhas, não me lembro o nome. Passei quase duas horas lendo ali e pensei: talvez alguém também precise de algo para ler e passar o tempo.

Como o restaurante estava cheio, deixei ali, na cadeira, para que a próxima pessoa que a puxassse e sentasse pudesse ter uma supresa.

domingo, 14 de outubro de 2012

Viagem ao Sítio do Pica Pau Amarelo

Quando vi a placa, achei que fosse alguma brincadeira. A caminho de Campos do Jordão, ainda no município de Monteiro Lobato, ela indicava: Sítio do Pica Pau Amarelo - 8 km. Como chovia muito, nem animamos desviar o caminho. Mas corri para o Google para pesquisar.

Descobri que o nome da cidade não é apenas uma homenagem ao grande escritor, mas sim ao seu filho pródigo. Sim, foi ali naquela cidade, no hoje chamado Sitio do Pica Pau Amarelo (antes chamava "São José do Buquira"), que Lobato nasceu e viveu seus primeiros anos de vida. Foi para ali, também, que mudou-se com sua mulher e seus filhos após a morte de seu pai e onde escreveu grandes obras como “A Velha Praga”, “Urupês” e “Sítio do Pica Pau Amarelo”. O Sítio ainda serviu de laboratório para os atores da primeira adaptação da obra de Lobato para a TV.

SP 050 - Rodovia Monteiro Lobato

Pronto, foi o suficiente para despertar minha curiosidade. Combinamos, eu e o namorado, de passarmos na volta do feriado para conhecer.

Saímos de Campos do Jordão mais tarde que o previsto e chegamos a achar que a estrada estaria cheia e teríamos que pegar outro caminho, desistindo do Sítio. Mas, felizmente, o caminho estava tranquilo. A Rodovia Monteiro Lobato (SP 050) é uma delícia. Apesar de ser muito sinuosa, o visual vale a pena. Muitas árvores, a paisagem da serra e várias alamedas no meio do caminho compõe o cenário.


Chegando ao município, seguimos a placa que vi na ida. O "Sítio do Pica Pau Amarelo" fica a 8km do centro da cidade Monteiro Lobato na, olha só, Estrada do Livro!


O sítio


Entrada e saída do Sítio.
A propriedade é particular, pertence a educadora aposentada Maria Lucia Ribeiro Guimarães, que herdou o Sítio de seu avô (que, por sua vez, comprou de um comerciante que adquiriu as terras de Lobato), e abre a visitação todos os dias, das 9h às 17h. Dona Maria Lucia é uma senhora simpaticíssima e apaixonada pelos livros, pela educação e pelas pessoas. Sabendo do patrimônio cultural que tem em mãos, ela não só abre a propriedade ao público, como recebe os visitantes e promove eventos culturais no Sítio. O que mais me impressionou é que ela e a família usam a casa normalmente. Quando chegamos lá, eles estavam terminando de colocar o almoço da família na mesa, passamos pela cozinha, cumprimentamos a todos que foram muito educados e receptivos.


Reino das águas claras


O Sítio é deslumbrante. Apesar do espaço interno (móveis e decoração) não serem originais, o casarão e grande parte da área externa são. Possui 18 cômodos, janelas enormes, e um cheiro de fazenda, paz e calmaria aconchegantes. Os donos possuem uma porção de cachorros, patos, gado, galinhas, cavalo. Depois de olhar e se deslumbrar com a casa, o guia nos indicou o caminho de uma pequena cachoeira, no fundo da propriedade. Era nada mais, nada menos do que o Reino das Águas Claras, o riacho de águas cristalinas onde nadam “peixinhos de olhos arregalados”, como descreve Lobato em sua obra.


Fachada do Sítio
A experiência é emocionante. Mas o melhor é o carisma e a simpatia de Dona Maria Lucia e o guia Cláudio. O amor que ambos sentem pela história do local e pelo autor, o conhecimento que eles tem sobre a obra de Lobato e seus diversos desdobramentos, dá vontade de sentar ali, naqueles jardins enormes, e voltar a ler as aventuras de Narizinho, Pedrinho, Visconde de Sabugosa, Boneca Emilia, Dona Benta, Tia Nastácia e todos os outros personagens. Resultado: saímos de lá encantados e com uma caixa com 6 livros de Lobato (obras para adultos) e um livro de um autor local contando a história do Sítio e do município.

A viagem toda foi uma delícia, mas para nós dois o Sítio foi o ponto alto. Recomendo. É uma experiência encantadora!


Outro Sítio do Pica Pau Amarelo

Tudo o que contei aqui, foi o que aprendemos no Sítio. Fui dar uma pesquisada e descobri que existe um outro Sítio do Pica Pau Amarelo em Taubaté, a antiga fazenda do Visconde de Tremembé.

Há uma grande polêmica sobre o local de nascimento de Monteiro Lobato. Não existe nenhum registro sobre onde ele nasceu realmente. Segundo consta, o Visconde não era casado com a avô do escritor, Dona Anacleta Augusta do Amor Divino. Sua esposa era a viscondessa Maria Belmira de França. Sendo assim, alguns afirmam que Lobato foi criado no sítio de Buquira (nome antigo do município Monteiro Lobato) com a avó e as irmãs, outros afirmam que ele foi criado junto com o avô.

Tia Nastácia.
Mas, de fato, o autor morou entre 1911 e 1917 no sítio que hoje é de Dona Maria Lúcia. Foi lá que ele criou personagens como Jeca Tatu e todas as histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo. E foi ali que Monteiro Lobato se consagrou como um grande escritor da literatura brasileira, após escrever alguns artigos para O Estado de São Paulo denunciando o abandono da região.

Sem dúvidas, Lobato baseou seus personagens e histórias em tudo que viveu nas duas propriedades citadas do avô, além de várias outras, já que este era um fazendeiro abastado e o escritor passava férias em diversas dessas fazendas e sítios. Dona Benta era, provavelmente sua, avó Anacleta. Narizinho e Emília foram baseadas em suas irmãs e Pedrinho era a criança que o escritor gostaria de ter sido. Tia Nastácia era a mucama de Lobato e de sua esposa, Purezinha. Foi a única personagem de suas histórias que o autor manteve com o nome e descrição reais. Apesar de toda ausência de uma figura paterna em suas histórias, o autor criou também o Visconde de Sabugosa, um homem sábio e amante dos livros, provavelmente seu avô, o Visconde de Tremembé.



Mais fotos

Vista da janela da sala do Sítio.

 
Vista da frente do Sítio.



Referências das fotos: 
 Todas as fotos antigas foram retiradas do livro "Monteiro Lobato - cidade e escritor", de André Barreto.
A foto colorida da fachada foi retirada do site http:/monteirolobato.sp.gov.br/
Todas as outras fotos são minhas.

Referências Bibliográficas
 BARRETO, André. Monteiro Lobato - cidade e escritor. JAC Editora. 
Contato do autor: andrebarrt@gmail.com. Contato da editora: (12) 3928-1555 ou vendas@jaceditora.com.br

 Sites:
http:/monteirolobato.sp.gov.br/ 
http://www.museumonteirolobato.com.br/
O Estado de São Paulo

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Livros, metrô e Nova York: The Underground New York Public Library

“How Should a Person Be?” by Sheila Heti 


"Uma grande biblioteca visual". Esse é um dos conceitos do projeto "The Underground New York Public Library". Desde 2008, a fotógrafa marroquina (e contadora de histórias) Ourit Ben-Haim, diariamente clica momentos de leitura de passageiros nos metrôs de Nova York. Depois, ela publica a fotografia e o título do livro em seu blog. 

Você julga uma pessoa pelo livro que ela está lendo? Devo confessar que sempre que ando de metrô, fico observando o que as pessoas estão lendo. Já vi muita coisa: livros de autoajuda, nerds, guerra, poesia, culinária e até bíblia no iPhone. Quando me dou conta, lá estou divagando e me perco em pensamentos, imaginando o que fez a pessoa escolher tal livro, como ela é e pelo que está passando. Também já reparei certa curiosidade de outros passageiros quando estou lendo algo (alguns exageram, inclusive). Todas essas questões e a relação dos "leitores subterrâneos" sempre me chamou a atenção. Não é por um acaso que o metrô sempre foi meu lugar favorito para "esquecer" os livros. Acho que a nossa amiga Ourit (fiquei íntima, clica aqui para ver o perfil dela no Facebook. Ok, stalker alert!), também compartilha desse pensamento. Imortalizar tais momentos e universos por meio da fotografia, faz desse projeto algo genial e muito especial.  


"Blueberries for Sal," by Robert McCloskey


Para que fique mais organizado, o blog é dividido por categorias: Friday EReader, em que ela publica fotos de pessoas  lendo em seus tablets na sexta-feira; Sunday Morning Bible, são clicadas pessoas lendo bíblias nos domingos;  Tuesday Translation é a terça-feira da tradução -  os leitores do blog podem ajudar a traduzir o título de alguns livros.

Ourit escreve que sempre tenta anotar o nome do livro, seja fotografando ou até perguntando para a própria pessoa. Quando  não consegue, ela pede ajuda no blog (tem uma categoria lá pra isso também). 

"The Underground New York Public Library" é uma daquelas coisas que a gente para, põe a mão na cabeça e fala: "Como não pensei nisso antes?" Uma ideia simples e fantástica. E no final das contas, é muito mais do que um projeto sobre livros, é um projeto sobre gente.

Para conferir, clique aqui

domingo, 7 de outubro de 2012

Toda saudade do mundo


"Amor, sabes que te amo demais. Tive muitas mulheres antes de ti, mas nenhuma foi a 'minha mulher'. Por isso não era fiel às outras. Tu foste a melhor coisa que a vida me deu e a minha alegria reside em ti. Não sei como suportarei te esperar. Anseio pela hora de te ver e te ter ao meu lado (...)"


 Carta que Jorge Amado escreveu do exílio, em Paris, à sua mulher, Zélia Gattai. Em 25 de fevereiro de 1948. Disponível no livro TODA SAUDADE DO MUNDO, organizado pelo filho deles, João Jorge Amado.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Lionel Shriver, Kevin e seu pós-aniversário.

Resolvi inaugurar a categoria “Recomendo” com dois livros da mesma autora.

Meu interesse pela Leonel Shriver começou quando eu trabalhava em uma livraria. Sempre achei a capa de Precisamos Falar sobre Kevin muito intrigante e, ao ler a resenha, fiquei curiosíssima. O problema de conviver diariamente com livros é que sempre existem um milhão e tantos outros que eu “sempre quis ler”, e os novos ficavam para depois. Quase um ano depois, passeando por esta mesma livraria, eis que o encontro com desconto. Não pensei duas vezes, comprei e na mesma hora comecei a ler.

Conforme a leitura avançava, fui entrando no mundo de Eva, Kevin e sua família com uma curiosidade mórbida, chocada e maravilhada. Li alguns textos falando que a história trata da ausência dos pais na educação dos filhos. Vi de um modo diferente: para mim, o livro mostra como o relacionamento entre pais e filhos pode ser muito mais complexo do que acreditamos. A autora desconstrói a ideia da maternidade como um momento mágico, único e especial e mostra que a ideia “amor incondicional” não é necessariamente verdadeira.

Algo que chamou muito a minha atenção foi a pesquisa que Shriver fez sobre os casos de adolescentes que realizam massacres em escolas e universidades norte americanas. As referências de histórias verdadeiras, o retrato psicológico dos personagens, os detalhes do relacionamento dos membros da família. Tudo é tão forte, humano, verdadeiro, que fui pesquisar se não era realmente uma história verídica. Não é.


Muitas pessoas me perguntam: o livro é muito pesado? Sim, é muito. Me consumiu demais. Mas nos quatro últimos capítulos, principalmente, eu não conseguia parar de ler. Fui dormir de madrugada vários dias seguidos porque queria saber como acabava a história. Como me recusei a ver o filme ou ler qualquer coisa sobre ele antes de acabar, eu não tinha ideia do final (de tirar o fôlego, aliás).


Quem gosta de uma leitura mais leve, talvez não consiga chegar até o fim do livro. Perdi o ar algumas vezes, senti o estômago comprimido e o coração acelerado. Fiquei espantada, surpresa, diversas vezes. Quando acabei de ler, tiver que passar algum tempo digerindo tudo o que havia acontecido, entendendo os personagens, processando os fatos.

Foi então que, contaminada por este livro, comprei também O Mundo Pós-aniversário. Os dois livros são muito diferentes e muito parecidos ao mesmo tempo. Shriver entra nos personagens e nos assuntos abordados com a mesma profundidade, em narrativas bem distintas.

Fiquei muito surpresa quando, ao terminar o primeiro capítulo, havia dois capítulos 2, dois capítulos 3, dois capítulos 4 e assim por diante. A partir da história das primeiras páginas, a vida de Irina McGovern se desenrola de duas maneiras completamente diferentes com desfechos inesperados. Os capítulos opostos fazem um paralelo da vida da personagem a partir da decisão que ela toma no primeiro capítulo.

Mais uma vez a autora me surpreendeu com a profundidade e os detalhes. As duas histórias do livro são igualmente envolventes e por muitas vezes eu “virava a casaca”, concordando e discordando com uma ou outra decisão de Irina. Fiquei pensando como muitas vezes ficamos perdidos quando precisamos tomar uma decisão importante na vida, com medo de escolhermos a errada, sendo que, no fim das contas, não existe certa ou errada.

O que mais me atrai nos livros de Shriver é a maneira como ela nos envolve com os personagens. A raiva, a indignação, a dúvida, o nervosismo... muitas vezes eu não sabia quais eram os sentimentos dos personagens e quais eram os meus. A sua pesquisa vai muito além de apenas fatos, datas e ideias, ela faz uma pesquisa psicológica muito profunda para montar seus personagens.

Ainda não sei quando vou deixar esses livros por aí. Acho que vou lê-los mais uma vez ainda, até conseguir me desapegar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O nascimento de um livro


Desde pequena (quer dizer, quando eu era menor ainda), sempre fiquei imaginando como era o processo de montagem dos livros. Isso era algo que realmente me intrigava. Os livros trazem tanta magia para as nossas vidas e o nascimento deles não poderia ser de outra forma, senão mágico.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Apaixonados por livros - #TubainaCast

Uma conversa incrível  e muito gostosa sobre livros que acabou de acontecer. 
Falaram um pouquinho do #Euacheiolivro. Para quem é apaixonado por livros, vale a pena assistir!

Quem gostou do bate-papo, ele rola toda segunda-feira, às 21h.
http://tubainacast.com.br/


terça-feira, 5 de junho de 2012

As Brumas de Avalon

Ele estava atrasado, para variar. O trem não vinha e minha agonia aumentava cada vez mais. O próximo a ser esquecido era "As Brumas de Avalon - A senhora da magia", de Marion Zimmer Bradley. O livro foi um grande companheiro durante a minha adolescência. A despedida não foi fácil, não mesmo. Deixar algo que marcou a sua vida não é simples assim. Mas, já estava decidida. O coitado só estava acumulando poeira na minha estante e também seria o melhor para ele. Estávamos ali, despedindo-nos no banquinho. E o bendito trem não vinha. 


Um moço se sentou ao meu lado. Deve ter achado estranho o fato de eu estar conversando com um livro. 

"Não é você, sou eu. E é o melhor para você. Vou te deixar aqui."

Coloquei o livro no banquinho e logo depois, o trem chegou.

"Adeus!" 

Sabe como as mulheres podem e/ou adoram ser dramáticas naquele fase do mês, né? Então corri. Corri, morrendo de medo de que o livro, ops, alguém me chamasse. E quando finalmente entrei no trem e vi o livro, ali no banco, eu sorri. Um pouco de nervoso, confesso. Mas é muito maluca essa sensação que fica quando a gente deixa um livro. Quando a gente abre um mundo de possibilidades e novas histórias. 

P.s: Deixei esse livro na estação do metrô em março. Sim, culpada! Confesso. Mas faltou inspiração e tempo para escrever! 



Livros, arte e solidariedade

Hoje saiu no Correio Braziliense uma matéria muito bacana sobre o blog. Ficamos muito felizes de estarmos despertando tanta curiosidade nas pessoas.


sábado, 26 de maio de 2012

Um banquinho, um parque e...mais um livro

Fazia algum tempo que eu não deixava um dos meus livros. Ficava escolhendo um lugar bacana pra ele ficar, então hoje resolvi colocar um livro onde há tempos ensaiava.

 
Escolhi o Parque da Cidade. Um lugar inusitado para se achar um livro.

Aliás, achar um livro que foi deixado de propósito...qualquer que seja esse lugar será sempre inusitado, né?

E esse recadinho é pra vc que o encontrou: espero que goste. É uma leitura leve, algo que vai te distrair. Uma coisa eu sei... vai fazer você esquecer da correria desse nosso mundo louco.

Então, foi assim....um parque, um dia de sol, um banco debaixo de uma árvore....e uma boa surpresa. Sorte a sua! Aproveite.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A sombra do vento

Faz tempo que não apareço por aqui. Comecei a perceber que, passada a empolgação inicial de deixar livros em tudo quanto é lugar, comecei a ficar mais exigente. Não queria repetir os lugares, nem deixar livros que não significam algo para mim.

Esse livro rodava comigo há mais de um mês. Hora estava no meu carro, hora na minha bolsa, hora na mala. Mas eu ainda não havia achado lugar para deixá-lo.

Resolvi levá-lo mais uma vez para São Paulo para procurar um lugar bacana.

Ainda em Brasília, fiz um embarque remoto, naqueles ônibus que nos levam até o avião. Estava decidida a levar o livro comigo, mas, ao sentar na última cadeira do ônibus comecei a pensar: Será que a próxima pessoa que sentar aqui não está precisando de um livro para se distrair no voo?

Não sei se quem pegou precisava ou não, mas acho que será difícil resistir ao livro. A sombra do vento é um daqueles livros que, quando engatamos na leitura, não conseguimos mais parar.

Adoraria receber um e-mail de alguém dizendo que estava mesmo precisando de um livro assim para se distrair no voo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma notícia muito especial


Nosso blog hoje foi matéria do Campus Online - o jornal online da UnB.

Para ler a matéria, é só clicar na imagem:



É uma sensação muito boa saber que a ideia que pareceu tão simples tá conquistando tantas pessoas.
Eu gostei. E vc?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Deixar para receber

Dessa vez, foi a Fernanda. Já tinha um tempo que que ela queria deixar um livro também e, finalmente, achou uma oportunidade.
"A novidade da Jê me arrebatou e fiquei com a maior vontade de participar. Na mesma hora já sai contando para todo mundo, toda animada. Mas faltava colocar em prática (lógico).
Já ao fazer a primeira parte (escolher o livro) percebi que o processo todo ia além de simplesmente deixar um livro em algum lugar.... Passa por escolher algo do qual você vai abrir mão. E este é um dos melhores exercícios hoje em dia. Diria que além de um exercício voltado para o social, é também um exercício individual e íntimo. Serve também como um pontapé para outras ações filantrópicas maiores.
Bem, escolhi o livro (Médico de homem e almas, do Taylor Caldwell) e a ocasião que iria "deixá-lo". Melhor dizer  "compartilhá-lo", porque "deixar" parece abandono, né? Bom, seria num jantar com meu pai que vinha do RJ me visitar em Brasilia.
Chegando no restaurante (Dona Lenha da Asa Norte), esqueci o livro no carro (dãããã...). No meio do jantar fui buscar o livro. Estava decidida. Meu pai não entendeu nada quando voltei com o livro, e  muito menos quando disse para ele que teríamos que praticamente sair correndo depois de pagar a conta. Com certeza iriam tentar me devolver o livro.
Desta vez ainda não vou conseguir dizer como é a reação da pessoa que acha o livro (espero que ela apareça por aqui para contar como foi ;). Mas gostei tanto da experiência que já estou percorrendo novamente minha prateleira de livros.

A iniciativa está de parabéns!
Fernanda L Matta"
Quem está de parabéns é você, Fernanda, que nos ajudou bastante!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um livro....em outras terras



Esse é um amigo de longa data que gostou da ideia e resolveu deixar livros também...e em outras terras. Ah, e foi a primeira testemunha q participou da minha alegria ao ver alguém levando um dos livros  que deixei.

"Tem dois meses que estou para escrever a minha experiência mas a correria não deixou. Mas, aqui vai.

Eu conheci a história desse blog bem no comecinho, encontrando uma Jeanne envergonhada como se tivesse cometendo o maior dos crimes em um shopping deixando seu livro e esbarrando mais tarde na pessoa  que pegou o livro na escada rolante. Achei o projeto "supimpa", termo usado pela minha geração para denominar uma coisa show, legal, bacana. Enfim, fiquei feliz por pessoas se unirem para compartilhar algo que vai além de algumas páginas impressas em times, em helvetica, arial… Compartilham emoções, sentimentos, experiências. Nenhum livro deixa a gente sem marcas. E toda vez que pensamos em emprestar um livro ou mesmo deixa-lo a sua própria sorte, torcemos para que as pessoas sintam o que sentimos. Nem sempre acontece dessa forma, mas é a esperança que nos move.
E eu estava me movendo de Madri para Barcelona em um trem em uma tarde fria de fevereiro. Tinha prometido a Jeanne levar esse projeto para d'alem mar. E assim o fiz. Escolhi um livro ainda no Brasil que tivesse me deixado marcas. E escolhi um que os espanhóis tivessem facilidade de leitura. Escolhi um do fantástico português Gonçalo M. Tavares: O Homem ou é Tonto ou é Mulher. Um livro que tenho presenteado a várias pessoas, sempre que acho que merecem e que vão sentir o que senti. No trem, deixei ao acaso o livro antes de sair da estação com o bilhete escrito a mão em um portunhol bem ruim:
Olá. Este es um regalo. Es para ti. Si. Para ti que os tiene em las manos. Um livro que transpassou mares para chegar ate ti. Se gostares, entre no blog euacheiolivro@gmail.com e nos diga o que achaste. Se nao gostares, também. Abraços. Bom proveito. (algo assim)
Não sei se alguém respondeu. Acho que não. Malditos espanhois. Mas, sinto-me recompensado por contribuir. Tenho que me lembrar de fazer isso mais e mais vezes. Mas, fica aqui o meu registro e incentivo para que todos embarquem nessas deliciosas histórias repartidas. 

Parabéns pela iniciativa. "

Nós é que agradecemos sua participação, Amilton! Valeu a força.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Um livro, duas histórias

"um livro com dedicatória é um livro com duas histórias, uma que começa no primeiro capítulo e uma que começou antes de se passarem as páginas"

É assim que o tumblr Eu te dedico descreve o projeto que pretende registrar e guardar palavras tão lindas quanto as que vem impressas nos livros, as palavras escritas nas dedicatória.

Vale a pena conferir, são registros lindos e emocionantes.

terça-feira, 13 de março de 2012

Achei o Histórias Brasileiras de Verão

 Mais um relato de quem encontrou um livro. Dessa vez foi aqui em Brasília mesmo. A Gabriela estava indo ao shopping e, como ela mesmo disse, parece que o livro estava destinado a cair em suas mãos.
"Fui eu quem achou o Histórias de Verão, fiquei muito surpresa. Naquela tarde eu estava com muita vontade de ler, tinha ido ao Pontão do Lago Sul e não estava com o livro já havia começado... deu muita vontade de ter algo em mãos pra apreciar. Meu pai então nos levou, eu e meu irmão, umas 16 hrs, para o shopping Pier 21.
Na verdade eu acho que esse livro era pra ser meu... Estávamos esperando a hora passar, meu pai nem disse nada e acabou indo pra lá. Entramos no estacionamento e logo um outro carro veio atrás, era uma mulher. Engraçado foi que ela estava bem atrás de nós e muito próxima do nosso carro nos forçando a continuar o percurso na pista do estacionamento. Chegou muito perto, o que deixou meu pai com raiva, até que a pista se abriu um pouco e ele conseguiu parar o carro. Foi quando passamos pelo banco e bem próximo, uma questão de passos, tinha uma vaga ali de frente pro lago (obs: o shopping estava muito cheio e haviam vários carro procurando vagas, encontramos uma bem ali pertinho do livro), e eu fui ver. Achei que alguém tinha esquecido ele ali, mas cheguei mais perto e vi que tinha um bilhete. Peguei e comecei a ler o papel amarelo, eu estava com medo, mas logo li algo que me tranquilizou e me deixou ofegante de tão feliz: "se você encontrou esse livro, então ele é seu".
Entrei dentro do carro, li o bilhete para meu pai e meu irmão e perguntei: "Será que eu sou a primeira pessoa a ver esse livro aqui?", e meu irmão disse: "Não, você foi a primeira a querer pega-lo", concordei.
Fiquei surpresa com a iniciativa e digo que estão de parabéns, na verdade eu achei lindo isso. Essa coisa de doar o que já foi usado para as histórias encontrarem novas pessoas... achei incrível. Fiquei realmente encantada, saí mostrando pra todo mundo que havia achado um livro no banco, eu realmente fiquei muito feliz! Só tenho agradecer pois essa atitude poucos tem, na verdade, quase ninguém.
Peço a vocês (acho que são mais de uma pessoa, nem sei ao certo) que não parem com essa iniciativa, eu amor ler, muito mesmo. Mas foi porque desde sempre eu preferi livros a brinquedos, minha mãe me ensinou a gostar de ler, a ter o prazer de pegar um livro e folheá-lo pra depois ler... Juro pra vocês que em todo aniversário meu eu pedia pra meus pais me deixarem o dia todo na Saraiva. Vou fazer 15 anos e ainda nunca realizaram meu desejo.
Enfim, só quero lhes dizer que eu fico muito feliz em poder acreditar que existem pessoas assim "diferentes", espalhando uma atitude tão linda. Comecei a ler muito cedo, e só agradeço a minha mãe. Muitas pessoas hoje, jovens principalmente, não tem esse incentivo dentro de casa, até mesmo porque foi algo que não foi ensinado de pai, pra pai. É bom poder pensar que um despertar em pegar um livro em um lugar assim, possa dar vontade de ler em alguém, possa fazer uma pessoa que mal lê os livros da escola, poder começar a gostar realmente.. Parabéns a todos vocês, obrigado também.
Beijos, Gabriela G."

Gabriela, nós que agradecemos mil vezes o seu e-mail. É maravilhoso saber que conseguimos chegar a uma pessoa que ama os livros, como nós. Obrigada por tudo, pelos seus elogios e seu entusiasmo. E nos ajude a passar a inciaitiva para frente!

 

domingo, 11 de março de 2012

Participação Especial

Hoje convidei duas pessoas muito especiais para participar.
Escolhi dois livros e chamei meus sobrinhos.

No começo, o Pedro (13) e Lucas (8) não queriam. Acho que pensaram que seria um mico. Mas então pedi pra cada um escolher um local que fosse bacana pra alguém encontrar esses presentes.

O local escolhido dessa vez foi o Pier 21, onde fomos ao cinema.

O Pedro deixou num banco - onde as pessoas sentam e admiram o visual do local - esse fica perto do shopping e bem de frente para o Lago Paranoá. Lugar lindo pra se achar um livro. E o da vez foi "Histórias Brasileiras de Verão" do Luís Fernando Veríssimo.

O Lucas também foi num banco, mas dentro do shopping. Um local onde pessoas param para conversar, esperar amigos. Fica perto de uma das entradas - e onde alguém acharia, rapidamente, a "Casa de Vidro" de Jeannette Walls.

Os meninos ficaram bem curiosos para saber se seus livros seriam achados logo.

Dito e feito. Antes de entrarmos no cinema, o livro do Lucas foi achado por um rapaz e percebemos que ficou intrigado com o "presente". Ali mesmo, no meio de tantas outras pessoas que passavam, parou,  se sentou e iniciou sua leitura. Sem se importar com os movimentos ao seu redor.

Nós três vibramos por assistir a cena sem sermos percebidos.

Quando saímos do cinema passamos pelo banco escolhido pelo Pedro e o livro já tinha sido levado. Uma pena que não vimos o rosto do novo dono de mais esse que foi deixado.

Mas valeu a curiosidade e empolgação do Pê e Luquinhas na escolha do lugar, deixar o livro sem serem vistos e depois ver que os "seus" livros foram levados.

Bom demais ter a participação mais que especial dos meus sobrinhos hoje.

Valeu a força, Pê!
Valeu a força, Luquinhas!
Bjs da Tia Jê

sexta-feira, 2 de março de 2012

Um livro... em Londres!


 A Mari gostou tanto da inciativa que resolver deixar seu livro também... em Londres!

"Adorei essa ideia desde o primeiro minuto.

Depois de acompanhar o blog por várias semanas, chegou a minha vez de deixar um livro e contribuir com o projeto.

Então, aproveitando uma viagem para espalhar o movimento pelo mundo, no dia 20 de Fevereiro, deixei o livro Persuasão, no British Museum, Londres. É uma edição bilíngue português-inglês desse clássico da Jane Austen. Pensei em alguns cuidados, aproveitando experiências relatadas no blog e os diferenciais do Museu. Procurei uma área de alta circulação, mas sem vigilância marcando perto. Estava fora de cogitação deixar perto de uma das obras do museu, e principalmente, não deixar perto de grupos asiáticos.
 
O livro ficou sobre uma das mesas compridas de uma lanchonete bem centralizada (à esquerda da famosa sala de leitura – para quem conhece – atrás desse leão da foto). Foi muito difícil sair andando, como se nada tivesse acontecido e sem olhar para trás. Tive que pedir ajuda para o namorado.
 
Na sequência, visitei as alas egípcia, grega e romana tranquilamente. Para ir a outras alas, passei pelo local e vi que o livro ainda estava sobre a mesa. Confesso que fiquei um pouco frustrada. Fui ver as múmias e as pinturas romanas. Na volta, passei pelo local de novo e.... o livro ainda estava lá!

Fiquei chateada. Dava para ver que ele foi manuseado. O bilhete (em inglês) estava em outra posição e o livro havia ‘andado’ na mesa. Resolvi desapegar.

Com certeza alguém vai pegar. Se não for um visitante do museu, vai ser um funcionário, alguém da segurança ou da limpeza...É uma leitura que faz bem para qualquer pessoa.

Beijos e parabéns pela iniciativa.
Mari."

É lindo ver que a iniciativa está se espalhando mundo afora!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Eu achei o livro, você deixou outro e por aí vai (vamos)

Coisas bacanas, as mais mais, são aquelas inesperadas. E esse blog tem proporcionado isso a cada uma de nós que participa dessa empreitada.

São várias as manifestações de apoio. Algumas aqui pelo blog mesmo outras ao vivo e a cores. No trabalho quando nos cumprimentam e dizem que gostaram da ideia, dando a maior força pra gente.
Pessoas que nos seguem no twitter ou curtem os nossos posts no Facebook.

E tem aquelas que também começaram a deixar seus livros para outros acharem. Amigo que , numa viagem de férias se lembrou de levar um exemplar e deixar num trem no caminho de Madri a Barcelona. Amiga que, numa viagem a Londres, teve o carinho de traduzir pro inglês o bilhete que acompanha o livro e deixá-lo num lugar especial. E tantos outros que deixaram essa "lembrança" tão significativa pra alguém.

Cada livro é especial. Cada lugar é especial. E quem achar será especial também.

Cada uma dessas pessoas tem feito esse desapego virar uma mania. Algo que nem de longe imaginei.

Coisas bacanas que podem acontecer nesse nosso mundo que anda tão conturbado e violento.

Um livro e sua história...que possa comover e domar um coração, acalmar um dia de trabalho intenso ou ser a cereja do bolo daquele dia bem vivido.

Achar um desses pelo seu caminho, num dia qualquer, num local qualquer é uma sensação que você poderá descrever. E se não aqui, que a guarde consigo, com carinho.

Tá valendo toda a força que vocês dão. Aliás, sempre valerá. Demais!!!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eu encontrei o livro, ou melhor, o livro me encontrou

A Alestina Mendes nos enviou um e-mail lindo, contando onde encontrou seu livro. Foi o primeiro e-mail que recebemos e ficamos muito emocionadas!

"Oi, me chamo Alestina Mendes. Dia 19/02/2012 estava a caminho do trabalho por volta das 14 horas e entrei no metro Sacomã, sentido Vila Madalena. O vagão contava com umas dez pessoas espalhadas. Sentei e, de longe, percebi que tinha um livro sobre o assento. Fiquei curiosa para saber sobre o que era o livro, mas fiquei com vergonha de chegar até ele e as outras pessoas acharem ruim. Quando chegou na estação Ana Rosa todas as pessoas desceram. Aí, então, levantei e fiquei de pé próximo ao livro. Ao ver o recado, a princípio, achei que era pegadinha, mas AMEIIIII, li e reli várias vezes sorrindo...

Foto tirada pela Alestina
No metrô mesmo já comecei a ler. Fiquei muito curiosa em saber quem deixou o livro e qual foi a sensação dessa pessoa ao ter deixado. Espero um dia encontrá-la.

Bom, irei dar continuidade a isso de "esquecer" meus livros por aí. Só tenho a agradecer, estou amando o livro que estou lendo.

Atenciosamente,  Alestina Mendes."

 Em outro e-mail, ela nos confidenciou

"AMEI a iniciativa de vocês, já até sei onde vou deixar o meu primeiro livro. Contei a história para outras pessoas, todas ficaram encantadas. Nossa, vocês não sabem a honra que senti quando encontrei o livro. O engraçado foi que sai no metrô Brigadeiro com o livro e o recado na mão de frente para as pessoas para ver se uma delas olhavam muito para mim, para tentar ver quem deixou o livro. (...)  Obrigada mesmo por este presente."

Alestina, seu e-mail é que foi um presente para todas nós. A emoção ao ler suas palavras foi indescritível. Nós agradecemos muito pelo seu contato e torcemos para que você deixe muitos livros por aí.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dessa vez foi na terra da garoa

Esse ano resolvi passar o Carnaval em São Paulo. Fugir do agito, curtir os amigos e matar a saudade do namorado, era tudo o que eu queria. Clima e data perfeitos para deixar um livro. Levei dois.

Já no primeiro dia, saí com um na bolsa.

O livro era Agosto, do Rubem Fonseca. Já estava com esse livro para cima e para baixo tem algum tempo, mas estou cada dia mais exigente com os locais que deixo.Queria deixar em um lugar diferente. Já havia deixado em shoppings e restaurantes, estava muito óbvio. Pensei em deixar no Ibirapuera, mas São Paulo chove muito. E o medo de molhar o livro? Nem pensar.
Foi então que pensei: em Brasília eu nunca ando de metrô, dificilmente conseguiria deixar algum lá. E acho o metrô perfeito para isso. Geralmente as pessoas estão indo ou voltando do trabalho, cansadas, nada como uma bela supresa dessas. No caso era sábado de carnaval, pouca gente deveria estar indo trabalhar, mas muitas pessoas estavam a procura de diversão.


Combinei com a amiga e o namorado de não darem bandeira: assim que chegarmos a nossa estação, saímos e não olhamos para trás. Foi o que fizemos. Coloquei o livro no canto, perto da minha perna. Na hora de descer, minha amiga e meu namorado levantaram e eu fiquei sentada. Vi uma mulher de óculos escuros olhando na minha direção. pensei: se eu levantar, ela vai vir atrás. Fiquei sentada e, quando chegamos à estação Trianon-Masp, saí correndo.


Subindo às escadas rolantes, vi um homem com o filho no colo sentando ao lado do livro. Ele olhou, olhou, mas não consegui ver se pegou... Tanto faz, só espero ter deixado alguém mais feliz!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

E já que estamos falando em livros...

... por que não falar de quem os ama?



Inspirado na mesma medida pelo furacão Katrina, Buster Keaton, O Mágico de Oz, e um amor pelos livros, Morris Lessmore é uma história de pessoas que dedicam suas vidas aos livros e livros que devolvem o favor. Morris Lessmore é uma alegoria sobre os poderes curativos da história. O premiado autor e ilustrador William Joyce e o co-diretor Brandon Oldenburg apresentam uma experiência narrativa nova que remonta a filmes mudos e musicais da MGM Technicolor.

O curta é lindo e passa exatamente a mensagem que queremos passar: cuidem bem de seus livros, até encontrar alguém que queira cuidar deles também.
Bom Carnaval!  

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Gregório de Matos na Torteria



Eu, Carol, Andresa e Taís fomos almoçar no Liberty Mall (um shopping aqui de Brasília).
Terminamos de almoçar, Andresa saiu para resolver algumas coisas. Eu virei para as meninas e disse: - Vamos sair rápido, pois vou deixar um livro aqui na cadeira.
Eu e a Taís andamos bem rápido (quase correndo pela praça de alimentação do shopping). Paramos na Torteria Di Lorenza para comer um docinho, quando de repente só escuto de fundo: - Moça, moça... Você esqueceu esse livro lá na mesa!
Olho para trás e vejo a Carol toda vermelha (de vergonha): - Nãooooo, esse livro não é meu! O garoto me olha com aquele olhar de então é seu.
Eu logo respondi: - Meu??? Não!!!! Nunca vi esse livro (ainda bem que a história de pinóquio não é verdade! Senão meu nariz... hehe)
Claro que me deu a maior crise de riso, eu mal conseguia fazer meu pedido. Acabei fingindo que estava rindo do ratinho de chocolate e foi ele mesmo que eu pedi.
Quando fui sentar, vi que a moça que trabalha na Torteria estava com o livro Poesias Selecionadas de Gregório de Matos na mãos.
Espero que ela goste tanto quanto eu do livro.

"O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
ma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta". (Gregório de Matos)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A concierge e o poeta

A Dany é uma devoradora de livros desde pequenininha. Hoje é cineasta e aspirante a escritora, sua obra reflete muito da poesia e das histórias que ela absorveu durante a vida.

"Meninas,

Confesso que estou adorando a ideia de abandonar livros por aí com bilhetinhos carinhosos ao acaso. Além do exercício de desapego, é muito gratificante imaginar que as histórias vão ganhar novas potencialiades de acordo com a imaginação do novo dono. Vai que o livro é exatamente o que a pessoa estava precisando naquele momento? Vai que a história faz eco com alguma emoção? Quantas vezes isso não acontece com a gente, não é? Então acho lindo pensar que a gente simplesmente pode dar uma "mãozinha" pro destino ao libertar os livros da estante...

O primeiro que libertei foi A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, há cerca de duas semanas. Como o livro gira em torno de uma "concierge"(espécie de zeladora) apaixonada por literatura, resolvi escolher um local inspirado na história. Deixei o livro em cima de um banquinho num prédio de superquadra, perto da casinha do zelador. Quem sabe não haveria um "concierge" por ali? Ou mesmo um moradora esperta como a personagem Paloma, em busca de um sentido para a vida? Achei que o cenário de um prédio, cheio de apartamentos e possibilidades, era perfeito. 

Deixei o livro por volta das 10h e, quando fui trabalhar, por volta de 14h, ele ainda estava lá. Acho que muita gente fica com receio de pegar. A boa notícia é que, quando voltei do trabalho, o livro não estava mais lá! Bingo!

Depois da felicidade que esse "abandono" me trouxe, resolvi partir pro segundo livro. Nesta semana, deixei um livro de poemas do Millor em cima de um caixa eletrônico do Banco do Brasil. Pensei que era um bom lugar pra espalhar poesia, ainda mais uma poesia ácida e crítica, direta como a do Millor. Porque a gente não quer só dinheiro. A gente quer dinheiro e felicidade. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.

É isso, meninas. Já separei outros livros para espalhar por aí. Tenho deixado o e-mail de vocês nos bilhetinhos. Quem sabe chega por aí algum relato...


Beijos,
Danyella Proença"

Dany, ficamos muito felizes com a sua participação! A sensação é mesmo uma delícia. Vamos continuar deixando nossos livros por aí.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

No escurinho do cinema...

Fomos assistir o filme Sherlock Holmes no cinemark do parkshopping.
No final do filme, levantei, coloquei o livro em cima da cadeira e fomos embora.
Como estávamos sentados próximos da porta de saída, e tinha um papel amarelo fluorescente bem em cima do livro, com certeza uma das pessoas que estavam saíndo pegou o livro :)
Tentei andar devagar, olhava para os lados... mas não vi ninguém passando com o livro: Perdas e Ganhos da Lya Luft

Mais um livro se foi...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Passeando por Goiânia

Fizemos um trato: toda vez que viajarmos, deixaremos um livro em algum lugar do Brasil ou até do mundo.Esse final de semana decidi, então, deixar dois. Um no meio do caminho para Goiânia, outro já na cidade.

No caminho, sempre tem a paradinha no bom e velho Jerivá para comer o sensacional Jerê de quatro queijos. Nem deu para escolher muito onde deixar lá dentro, na verdade. A lanchonete estava lotada e quase não havialugar para sentar. Fora a fila enorme na saída para pagar. Achei muito arriscado deixar ali, no meio de todo mundo, alguém iria me reconhecer. Decidi, então, e mais uma vez, deixa no banheiro. Não, dessa vez não foi Drummond, foi Manoel de Barros, já falei dele por aqui.

O banheiro também estava cheio, mas era mais fácil deixar o livro e sair como se nada tivesse acontecido. Deixei, ainda enrolei lavando as mãos, mas não vi ninguém pegando. Comi meu salgado olhando nas mãos de todos que passavam, mas não conseguir ver. Tudo bem, acho que a graça está mesmo no anonimato.

Mas ainda havia um livro. Esse deveria ser escolhido com cuidado.A história é romântica, daquelas que não ficam atrás de nenhuma comédia romântica hollywoodiana: A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo.

No sábado a noite, saí para um bar com o namorado e amigos. Coloquei o livro na bolsa. Meu namorado ainda falou para eu não levar: bar é lugar de gente bêbada e, se alguém achasse, não daria bola ou poderia estragar o livro. Mas alguma coisa me dizia que eu devia levar. Passamos a noite rindo e conversando, nem me lembrei do livro. Na volta para casa, passando ao lado de uns banquinhos no Parque Lago das Rosas, falei: Para o carro! Com certeza meu namorado me achou maluca. Peguei o livro da bolsa, desci correndo e larguei em um dos bancos. Não existe um lugar mais despretensiosamente romântico do que um banco de praça, imagina a alegria de alguém que encontraria aquele livro em sua caminhada matinal de domingo.

Fui para casa e dormi feliz com o final de mais uma de minhas missões clandestinas.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Almoçando com Fernando Sabino

Deixei o livro Lugares Comuns de Fernando Sabino em cima da mesa, depois de um delicioso almoço com as amigas.
Saímos rapidinho para não correr o risco de ninguém vim atrás para devolver o livro.
E fiquei muito FELIZ ao ver que o rapaz que limpa as mesas do praça de alimentação achou o livro.

E como diz Fernando Sabino: "Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um".

domingo, 29 de janeiro de 2012

Dessa vez, foi Cora!

"Naqueles velhos tempos era tudo, nesse mundão de terra goiana, puro, aberto. Toda gente criava solta; os bichos conheciam sua querência e não buscavam cocho alheio, salvo algum raro extravio, muito distante."

Depois de uma semana sem querer desgrudar, tive que deixá-la ir. Ela ficou juntinho de mim nesses últimos dias até eu tomar coragem. Mas no sossego que me invadiu depois de assistir ao filme " A música segundo Tom Jobim" me senti mais tranquila para deixar Cora partir.

Aprendi a admirar essa mulher que teve seu talento reconhecido já em idade avançada e num momento da vida onde tantos abandonam seus sonhos. Cora usa uma linguagem delicada e forte. Fala de coisas simples. E é assim que a vida deveria ser percebida e vivida, pelo menos, na minha opinião.

Por se tratar de uma senhora a quem respeito e admiro, resolvi acomodá-la sossegadamente num banquinho de madeira e deixá-la ver o movimento das pessoas indo e vindo dos cinemas do Shopping Casa Park. Até que a pessoa certa notasse sua presença.

Nesse momento a chuva estava, de novo, lavando a cidade.  E com força. Mas isso era lá fora.

Cora estava protegida esperando seu próximo dono, aquele que quisesse ouvir suas histórias.

Gostei de ter Cora comigo - mas outros momentos virão. Espero que seu novo dono também aproveite sua companhia.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Hoje é dia de academia, bebê!

Confesso que nem esperava ter uma história para contar hoje. Pensei: levo o livro para a academia, deixo ali no sofá do subsolo onde vai menos gente e vou embora. Mas é claro que as coisas não sairiam como pensei.

Cheguei na academia e dei de cara com um aviso enorme dizendo que o subsolo estava interditado para reformas. Tudo bem, ainda havia o sofá do segundo andar. Malhei, corri, tomei meu banho e, quando penso em deixar o livro no outro sofá, descubro o segundo andar LOTADO por conta de um esquenta de carnaval: aula de Ritmos bombando e uma mesa de café da manhã enorme. Resolvi arriscar.

Sentei no sofá, tirei o livro, coloquei minha bolsa em cima e minha mochila no chão. Enfiei um pouco o livro no canto do sofá para não fiar muito evidente quando eu levantasse. Mas quando estou pensando em ir embora, encontro um amigo que não via há uns 6 anos. Não dava para simplesmente dispensá-lo. Conversa vai, conversa vem, ele senta do meu lado e eu quase amasso o livro para tentar escondê-lo. Até fiquei com vontade de revelar para ele minhas atividades clandestinas, mas achei melhor não, até porque seria muito legal se ele encontrasse.

Bom, mas enfim ele levantou para malhar, esperei um pouco e saí, na maior naturalidade. As pessoas estavam tão entretidas com a farra que estava acontecendo que acho que vão demorar a descobrir o livro ali, enterrado no sofá.

O livro foi Morte e Vida Severina, do João Cabral de Melo Neto. Li o livro lá pela oitava série, primeiro ano, exigência da escola. E digamos que não seja um livro que atraia muito um adolescente. Não me lembro quem, na época, me dava aula de literatura. Quem quer que seja, me fez enxergar uma das obras mais bonitas da literatura brasileira. E olha que não sou uma pessoa tão fã de poesia. Não digo que não gosto, simplesmente não nasci para ela. Mas este livro é diferente, principalmente quando, depois de lê-lo, assiste-se o filme homônimo, onde versos de João Cabral foram musicados por Chico Buarque. Espero, sinceramente, que a pessoa que o encontre goste tanto quanto eu!

Repercussão

O blog existe a menos de 20 dias e estamos muito felizes com a repercussão de tudo isso. Recebemos vários e-mails e mensagens nas redes sociais de pessoas elogiando e dizendo que querem fazer o mesmo. Era isso que queríamos: ver Brasília cheia de livros espalhados por aí! Estamos super ansiosas para receber depoimentos das pessoas que resolveram fazer o mesmo e de quem encontrou os livros.

Bom, dentre os e-mails que nos mandaram, recebemos um do Sávio. Ele também tem uma iniciativa muito parecida com a nossa, mas ao invés de deixar livros por aí, ele deixa filmes. Quem quiser saber mais, é só entrar em http://compartilhefilmes.tumblr.com. Lá ele coloca os dados do filme e o local onde deixou.

Sávio, muito legal! Torço para encontrarmos um filme seu por aí!


Ah! E agora também temos nosso twitter. Quem quiser saber onde deixamos os livros, é só seguir @euacheiolivro.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Fernando Pessoa na academia...



Primeiramente, não sou uma pessoa tímida e ficar sem graça é uma raridade (uma verdadeira Cara de pau). Desta vez abandonei o livro de Fernando Pessoa Obra Poética I - Mensagens na academia do prédio onde moro em Águas Claras.
Só estava eu e meu marido na academia, coloquei o livro em cima do suporte de pesos, e o fato de estar sendo filmada pelas cameras de segurança não me intimidou nem um pouco.
Mas como sou bastante curiosa, estou louca para ver na camera de segurança quem achou o livro rsrrs (será que consigo chantagear o zelador???? kakaka)

Capitu vai ao mercado

Há dias rodo com este livro dentro da bolsa. A história, já sei de cór, li três vezes. Um dos poucos livros, aliás, que li mais de uma vez. Para uma pessoa ansiosa como eu, que quer fazer tudo ao mesmo tempo, é quase impossível repetir uma leitura: afinal, existem tantos livros para ler no mundo ainda!

O título? Dom Casmurro. Acho que nem preciso dizer que é do Machado de Assis, né? Aliás, isso agrava todo o cuidado que estava tendo para escolher o lugar onde deixá-lo. Machado de Assis é, para mim, o melhor escritor brasileiro de todos os tempos. Ele está para a literatura assim como o Chico Buarque está para a música (ou seja, ídolo, muso, galã, paixão, inspiração e todos os adjetivos que uma tiete frenética poderia usar).

Passei por vários lugares, pensei, pensei, pensei e nada me ocorria. O livro é uma história de amor, mas, bem, com um final não tão feliz... Não dava para deixar num banquinho de praça, nem num parque. Mas também não seria legal deixar num banco, num restaurante ou coisa assim. Tinha que estar em algum lugar onde quem pegasse estivesse preparado para desvendar o maior mistério da literatura brasileira: afinal, Capitu traiu ou não traiu Bentinho?

Foi então que minha mãe me deu a luz! Não essa luz que estão pensando, essa ela me deu há 27 anos atrás. Ela só me pediu para ir ao supermercado. E por que não o supermercado? Como não havia pensando nisso antes? Gente, o supermercado é o local mundial da procura por diversão. Se vamos sair, passamos para comprar bebida; se vamos assistir um filme, passamos para comprar pipoca e refrigerante; se vamos fazer um jantar, nem precisa falar; se queremos afogar as mágoas, a sessão de doces está lá, sempre a nossa espera também. Genial! Mas agora o drama é: onde colocar dentro supermercado?

História de amor... bom, talvez a sessão de champagnes? Melhor não, como eu disse, o romance não tem um final tão feliz assim. Já estou vendo a cena: o cara chega para comprar um champagne e levar para seu jantar romântico, cheio de amor para dar. Dá de cara com o livro e resolve dar uma lidinha, para distrair. Ao se deparar com as suspeitas de Bentinho, olha para um lado, para o outro e pensa: será um sinal? Será que alguém está tentando me dizer algo? Não, não, não quero acabar o romance de ninguém com meu livro.

Acho que vou para a seção dos pães, porque não existe nada mais sem paixão e sem glamour do que pão, né? O pão, aquela massa de trigo com gosto de nada (ou, dependendo do padeiro, de sal), entra na casa de todo mundo, não importa a ocasião. Mas não... quem vai no mercado atrás de pão não está disposto a desvendar o segredo de Capitu. Quer, no máximo, sabe se o cara do Big Brother estuprou ou não a menina.

E é aí que dou de cara com a pipoca! Sim, a pipoca! Vamos atrás de pipoca quando queremos assistir um filme, não é mesmo?! Então, por que não trocar filme pelo livro?! Claro! A pipoca, companheira de dramas, mistérios, terror, comédias, romances e etc. A pipoca será então.

Dessa vez foi tão natural. Fingi que estava escolhendo uma pipoca, tirei o livro da bolsa, coloquei no meio delas e saí. Não esperei para ver se alguém ia pegar. Achei melhor não saber, vai que não gosto da cara da pessoa? Ia querer pegar Bentinho e Capitu de volta. Não, não, melhor contar com a bondade do destino. Paguei minha conta e fui embora.

Só uma coisa que esqueci de contar. Meu bilhetinho, dessa vez, foi diferente. Espero que quem encontre me responda uma pergunta que eu, até hoje, não desvendei: afinal, traiu ou não traiu?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E a vida te leva um livro


Eu estava bastante ansiosa para abandonar o meu primeiro livro. Confesso que fiquei horas pensando onde deixar o livro “O que se leva dessa vida", da Maria Cilene.

Resolvi deixá-lo no caixa eletrônico que fica no Espaço de Convivência (um espaço para os empregados da empresa onde trabalho). Me aproximei do caixa eletrônico, coloquei o livro em cima (tive a impressão de que todos estavam me olhando,  mas logo percebi que era coisa da minha cabeça e fiquei mais tranquila) tirei um extrato, e com as mãos suando frio, fui embora e deixei o livro lá.
Mas como a minha curiosidade era grande demais, decidi ficar sentada em frente a porta de saída (fingindo que estava em uma ligação) para ver quem sairia segurando o meu primeiro livro abandonado.
Logo em seguida, sai uma moça (com leve sorriso no rosto) segurando o livro e lendo o bilhete  . Fiquei tão feliz, emocionada e nervosa que comecei a rir (alto), a moça olhou pra mim com uma cara do tipo: - será que essa maluca está rindo de mim?
Rapidamente tive que disfarçar, e comecei a falar no celular como se estivesse em uma ligação bem divertida.
Ufaaaa... a moça continuou lendo o bilhete e saiu.
Fui embora feliz em saber que esse livro será lido por outra pessoa :)

O primeiro livro abandonado a gente nunca esquece!

Seguindo o coelho branco


 "A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma."

(Alice no País das Maravilhas)


Assim responde Alice quando a Lagarta Azul pergunta: "Quem é você?". Quem nunca se sentiu como a menina, perdida não só em um país maluco, mas sim, entre uma multidão de "eus"? Eu já. Diversas vezes. Por este e outros motivos, Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll) é uma das minhas leituras favoritas desde criança. Assim, o primeiro livro a ser "esquecido" não poderia ser outro.

Resolvi deixar o livro em um lugar que leva gente o dia inteiro pra lá e pra cá: o metrô. Escolhi o horário  de pico, no final da tarde (o que me fez sentir um pouco como o Tom Cruise na série Missão Impossível, só com menos glamour – é claro!). Entrei no trem, sentei, tirei o livro discretamente da bolsa e coloquei em cima do colo. Assim, quando eu chegasse na estação, era só deixar em cima do banco e sair rápido. Claro que eu não previa complicações e meu plano inicial não deu certo. Logo mais entrou uma mulher (que não estava com uma cara muito feliz) e ficou em pé, bem de frente para mim. O pior que ela era daquele tipo de pessoa que fica encarando o tempo todo. Qual o problema, dona? Será que ela sabia que eu estava em uma missão secreta? Bem, era melhor eu parar com besteiras e pensar em um plano B. Então olhei pro lado e vi que tinha um ferro entre o banco e a parede do trem. Perfeito. Puxei o livro para o lado e o deixei ali. 

Depois tive que me controlar para não olhar o livro o tempo todo e a vontade de rir. Sim, sabe-se lá o motivo, eu tive uma vontade descontrolada de rir. Quando chegou na minha estação, levantei-me apressadamente, mas tinha um senhor andando bem devagar na minha frente. Mais uma vez tive que controlar o riso. Olhei para trás e vi o livro ali e alguém indo se sentar no meu lugar. Missão cumprida. Agora é só torcer para que alguém aproveite o livro e se divirta com a leitura, assim como eu. 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Romântica, eu?

Fui um pouco mais cautelosa.

Não quero mais ser flagrada por ninguém na hora de deixar meu livro. Atenção redobrada então quando tiver garçon por perto!

...quero deixar o livro e sair de fininho. Vou tentar desse jeito, de agora em diante.

É assim que é mais gostoso e misterioso também. Porque não?

Gostoso também é pensar no melhor e mais inesperado lugar pra aquela pessoa achar.

Mesmo eu não tendo ideia de como ela é. Mas acredito que o livro será achado pela pessoa certa.

Deixei o livro no Café Martinica que fica num shopping. E sábado é um dia bem tumultuado por ali: férias escolares, muitos pais correndo atrás dos seus filhos. E, numa paradinha pra um lanche: o lugar certo pra surpreender alguém.

O café é um lugar bem pequeno e bem movimentado também.

Terminei meu lanche e deixei o eu@teamo.com.br – conta a história do encontro entre duas pessoas, com uma mãozinha dada pela internet.

É romântico como não poderia deixar de ser. Adooooro!

Mas, de verdade, eu acho que o mundo precisa de mais romantismo. As pessoas estão sem coragem ou por medo demoram a admitir que foram flechadas pelo cupido. E essa demora tem um preço. O tempo passa e aquele que poderia ser seu grande amor pode passar a ser o de outra pessoa. Bobeou, dançou, bebê!

Pra eu não ser vista, deixei  e saí rápido. Nem olhei pra trás. Com certeza a mesa foi ocupada logo, mas não vi a reação dela/dela. Uma pena!

Eu desejo que a pessoa que achar esse livro o mereça. Que, de alguma forma, ele a ajude a derrubar algum de seus medos. Tô aqui na torcida! E fazendo minha parte. Mesmo pequena.

Se quem encontrar esse se deixar contagiar...já valeu. Não dizem que coincidências não existem?

Um aparte: já não consigo sair de casa sem um livro na bolsa. Cada vez gosto mais disso!

Eu deixei o livro

 A Fabiana gostou tanto da ideia que resolver fazer igual.

"Adorei a ideia de deixar o livro por aí e resolvi fazer o mesmo. Ontem fui acompanhar uma amiga ao hospital da Ceilândia e pensei: porque não deixar um livro no hospital? Então procurei um livro que pudesse, de alguma forma, levar conforto àquelas pessoas que estão debilitadas e com um estado de espírito nada agradável. Como todos nós já sabemos, a saúde pública no DF não é nada agradável de se ver: faltam leitos, medicamentos, profissionais, entre outras prioridades que parecem que nunca serão sanadas. Enfim, resolvi deixar o livro Ágape, do Padre Marcelo Rossi, pois fala de amor incondicional e generoso.

Apesar de ter decidido de última hora ,creio que deixei o livro no lugar certo e na hora certa. Ágape aborda questões como amor, tolerância, humildade e perdão. No pouco tempo que passei dentro do HRC, observei que os pacientes precisam de algo a mais para passar o tempo em meio às turbulências de um pronto socorro.

Finalizando, deixei o livro com uma mensagem recomendada por este blog, mas com um email de resposta diferente. Observei de longe quem pegou. Creio que ela não possa responder, mas quem sabe... Foi uma senhora que estava com o esposo internado. Ela viu o livro colocou, os óculos, olhou para os lados, acho que procurou alguma identificação e leu o bilhete que deixei. Deu um sorriso, fez o sinal da cruz e começou a ler o livro. Em seguida fui embora, mas adorei a experiência e vou continuar deixando livros por aí. Da próxima vou tentar tirar fotos e mando para  vocês.

Beijos, Fabiana Lopes"

Fabiana, nós agradecemos o seu e-mail e ficamos muito felizes por você ter gostado tanto da iniciativa. Esperamos que continue "esquecendo"  seu livros por aí.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Pegadinha

Ontem, no almoço, resolvi seguir o conselho da Jê e ser mais ousada. Queria deixar O Grande Mentecapto, do Fernando Sabino, em algum lugar visível, de preferência em cima da mesa.

Fui almoçar em um restaurante no shopping (novamente), mas achei que em cima da mesa ficaria muito a vista, ainda não estou com essa coragem. Sentei, então, em uma mesa daquelas cujo banco é um sofá. No canto, encostada na parede, perfeita. Deixaria ali no banco mesmo. O bom é que o lugar era aconchegante e quem achasse o livro poderia começar a ler ali mesmo.

Almoçamos, batemos papo e saímos. Deixei o livro ali, como planejado e fui para o caixa. Ainda quase correndo e, segundo as colegas que estavam comigo, com o rosto todo vermelho. Eis que vem o garçom atrás da gente: Meninas, alguma de vocês esqueceu... (nessa hora eu gelei e comecei a pensar quais desculpas daria: não, não é nosso! Ou: livro?! Eu nem leio!)... os óculos de sol na mesa. UFA!, pensei. Não era o livro.

Fui à mesa, catei meus óculos (claro, eram meus!) e corri para o caixa, morrendo de medo do garçom voltar. Mas não voltou.

Conselho do dia: cuidado com os garçons!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O apego

É... não dá para dizer que estou tão desapegada assim dos meus livros.

Sítio arqueológico no Irã. Antiga Pársagada.
Saí ontem do trabalho decidida a deixar no sofá da academia hoje de manhã, Itinerário de Pasárgada, de Manuel Bandeira. Quando cheguei em casa resolvi reler a contracapa, a orelha e as primeiras páginas do livro.

"Depois das evocações da infância e da adolescência, o poeta traça o que poderíamos chamar de uma autobiografia intelectual, estendendo-se sobre a sua formação literária e sua convivência com a poesia."

Não aguentei, resolvi reler. Vou ter que escolher outro livro e colocar Bandeira na minha mesa de cabeceira.

A Máscara Caiu

Estou mais atrevida, é fato.
Mas tem seu preço - nada que não valesse à pena (rs).

E foi assim...

Brasília tá submersa, é uma chuva que não para nunca.

Então, meus livros estão sendo colocados em lugares públicos fechados.
Hoje foi na Fratello - uma pizzaria aqui de Brasília.

E, pra combinar com o tempo fechado, escuro e chuvoso, acrescentei mais um tempero: Um assassinato à la Agatha Christie.

Saí para uma happy hour com amigas e resolvi deixar a Agatha na mesa que ocupamos, logo após pagasse a conta.

Não sem antes avisar ao garçon - afinal de contas, eles são rápidos pra fazer a limpeza da mesa.

Assim, evitaria que corresse atrás de mim aos "berros": Sra! Sra! Esqueceu seu livro.

Quero fazer um parênteses, mas preciso dizer:
- 1º - detesto ser chamada de senhora;
- 2º - ia ficar roxa de vergonha ao ser abordada no meio de um local público lotado.

Fecha parênteses.

Avisei ao garçon: Moço, vou deixar uma coisa em cima dessa mesa, mas é pra ficar aqui mesmo, tá?
Não teve nenhum problema.

Tomamos nosso vinho, batemos um ótimo papo, comendo uma deliciosa pizza, pagamos a conta.
Deixei o livro.

E não é que vem outro garçon e me para no meio do caminho pra "devolver" o livro que deixei?

Mas fui socorrida de imediato pelo outro garçon ( o meu amigo) - que agora ganhou minha simpatia eterna. Rapidamente se aproximou, pegou o livro da minha mão e disse: Pode deixar comigo que coloco de volta na mesa.

Ufa! Meu atrevimento no final teve um preço mas valeu à pena.
E foi nesse dia que minha identidade foi revelada. Ao menos lá na pizzaria.

Tenho um propósito. Já que não posso negar meu lado romântico. É deixar num banco de uma praça de uma quadra qualquer aqui de Brasília e ficar de longe, só espiando pra ver a reação do sortudo, ou sortuda, do dia.

É só essa chuva passar, né gente?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Personagem de comédia

Foi assim que me senti hoje quando fui "esquecer" meu livro.

A ideia era deixar no carrinho de compras da garagem do meu prédio, já que sempre está vazia. Só que eu deveria ser discreta para o porteiro não perceber pelas câmeras e resolver me devolver.

O incrível é que nunca tem ninguém na garagem quando eu chego e hoje, logo hoje, entraram 4 carros comigo. Resolvi esperar, né? Mas como mulher demora a sair do carro! Arruma maquiagem, cata menino no banco de trás, sacola, periquito, papagaio. E eu não tinha mais o que fingir que estava fazendo.

Bom, quando não tinha mais sinal de vida humana lá embaixo, saí do meu carro. Aí vai eu: mochila de academia, toalha, bolsa, sacola de lanche e o livro na mão. Aham, muito discreta! Cheguei perto do elevador e consegui deixar tudo cair dentro do carrinho junto com o livro. Nessa hora imaginei o porteiro já assistindo a comédia com um saco de pipocas no colo.

Enfim, tirei tudo e larguei o livro. Nem me preocupei se ele realmente estava vendo ou não. Na pior das hipóteses, se alguém aparecer na minha porta querendo devolver, eu dou uma de desentendida. E se não colar, mando minha mãe dizer que, sei lá, tenho dupla personalidade.

Ah! E o livro de hoje foi "Noviço", que na verdade é uma peça do Martins Penna. Será quem vai achar?